O Barco Bêbado

Cruzeiro Seixas

  • Esgotado
  • Serigrafia
  • Papel Fabriano Tiep GF 290gr
  • Mancha: 40,5 x 55 cm
  • Suporte: 55 x 70 cm
  • Data: 2020
  • 150 exemplares
  • Ref.: S35702

 

++ EDIÇÃO ESPECIAL CENTENÁRIO DO ARTISTA

 

A assinalar o centenário de Cruzeiro Seixas é lançada a nova serigrafia do artista, edição especial intitulada O Barco Bêbado, referência direta ao poema com o mesmo título de Artur Rimbaud (1854-1891). 

 

 

 

 

 

 

 

 

ARTUR CRUZEIRO SEIXAS
O BARCO SINGRANDO NO OCEANO DA POESIA

 

Et dès lors, je me suis baigné dans le Poème
De la Mer, infusé d'astres, et lactescente
Artur Rimbaud, Le Bateau Ivre

 

A presente edição pelo Centro Português de Serigrafia de uma obra de Cruzeiro Seixas, corresponde à celebração dos 100 anos do artista, pintor poeta decano da arte portuguesa e um dos expoentes europeus do surrealismo internacional.

 

Na obra de Cruzeiro Seixas deslumbramo-nos com o espetáculo de um mundo em eterna metamorfose, que não é um espelho do real conhecido, mas do seu avesso desconhecido, com o movimento de uma simbiose entre todos os reinos e as suas criaturas, onde nada parece, nunca, ter uma forma definitiva. Mundo sujeito ao tempo devorador com estranhas e compósitas figuras entre o animado e o inanimado, numa confusão de reinos, animal, humano, mineral, aquático, personagens ambiguamente em conflito ou em harmoniosa fusão, estudando as leis do jogo e do acaso, negando-as.

 

A atual serigrafia retoma este perturbador universo onírico, meio solar, meio lunar, meio aquático, de uma transparência luminosa, a que corresponde uma atmosfera de suspensão e de ameaça, de sofrimento e agressão bem característicos do nosso tempo. O sol reinando sobre a noite, numa fusão anunciada, regime de Eros, de uma alquímica união que nos deixa vislumbrar a claridade, a luz dos conteúdos de uma racionalidade devolvida às fontes do imaginário, a um infinito que a criação do artista torna próximo.

 

Claridade iridescente e colorida, sobre a qual se recortam as figuras de uma expectativa amorosa, de um segredo, sob o signo da escrita e da poesia que inspira o título, e onde, tal como no famoso poema de Rimbaud, o verdadeiro mar é este horizonte cálido e fresco dos sonhos, a que o artista deu forma toda a vida, seu intemporal legado.

 

Maria João Fernandes

A.I.C.A. Associação Internacional de Críticos de Arte