Francisco Simões (1946-2026)
Jan. 17, 2026

Francisco Simões (1946-2026)

À Memória das Belas Formas

Faleceu o artista-plástico Francisco Simões, figura maior das artes plásticas portuguesas e um dos mais relevantes nomes da escultura contemporânea

 

Autor de obras de arte pública relevantes, como “As Mulheres de Lisboa” no metro do Campo Pequeno (Lisboa) ou as esculturas dos maiores vultos da poesia portuguesa que habitam o Parque dos Poetas (Oeiras).

 

Nascido em Almada em 1946, concluiu o curso da Escola de Artes Decorativas António Arroio em 1965, e o curso de Escultura da Academia de Música e Belas Artes da Madeira em 1974. Em 1967 foi bolseiro da OCDE em Roma, Turim, Novara, Verona e Milão. No ano seguinte trabalhou no Museu do Louvre a convite de Germain Bazin, figura de referência na História da Arte.

Francisco Simões, S/ Título, Serigrafia s/ tela, 82,5x65,5 cm, 120 exemplares

 

 

Defensor da liberdade e do acesso democrático à cultura, no ano de 1975 inicia trabalho com o Ministério da Educação, como responsável pedagógico do Serviço Cívico Estudantil, e envolve-se numa experiência autárquica, tendo sido eleito vereador para a Câmara Municipal de Almada (1976-1980). Em 1989 é nomeado consultor de Artes Plásticas para o projeto “A Cultura começa na Escola”.

 

O seu trajeto estende-se ao Jornal de Letras, Artes e Ideias (1992) onde foi colaborador, e à continuidade de funções no Ministério da Educação como membro do grupo de trabalho Humanização e Valorização Estética dos Espaços Educativos (1992).

 


Francisco Simões, Álbum de Arte "Fado", Serigrafia s/ papel artesanal, 34x47x7 cm,

200 exemplares

 

 

O seu caminho artístico ganha fôlego a partir de 1981, realizando exposições individuais em galerias como a Altamira (Lisboa), Quetzal (Funchal), S. Mamede (Lisboa) e Magellan (Paris). 

A parceria com o CPS nasce em 1988, com a obra Nu, inaugurando um vínculo de amizade e valores comuns. A sua obra encontra-se representada em coleções privadas em Portugal e no estrageiro, e em coleções públicas como a Caixa Geral de Depósitos e institucionais como a Universidade da Beira Interior.

  

Francisco Simões, "Nu", Serigrafia, 71x51 cm, 200 exemplares

 

No ano de 1991, escolheu Sintra para viver e trabalhar, cidade que o acolheu durante mais de 20 anos. Atualmente residia na Ilha da Madeira, onde se instalou e onde criou o “Centro de Artes Francisco Simões".  

 

Francisco Simões deixa um excecional legado cultural, pedagógico e cívico. Dado a relevância do seu percurso, a Câmara de Almada atribuiu o seu nome à escola secundária do Laranjeiro e a Câmara de Oeiras pretende fazer o mesmo, dando o seu nome a uma avenida da cidade.