Expressões, Gravura Contemporânea

1 de Outubro de 2007 - 21 de Outubro de 2007
CPS Sede

No CPS - Centro Português de Serigrafia está patente durante todo o mês de Outubro, uma exposição colectiva que dá a conhecer as diversas expressões e técnicas da gravura contemporânea. A gravura tem antecedentes notáveis em criações dos mais prestigiados artistas do passado e do presente, de Dürer, Goya e Rembrandt a Matisse, Picasso, Dali, Miró e Tápies, entre muitos outros. Também em Portugal a gravura constitui um aspecto fundamental da expressão artística do nosso tempo, representando um veículo imprescindível de divulgação estética, pela sua qualidade e aperfeiçoamento técnico que tem vindo a conquistar. A actual exposição de gravura representa uma escolha entre nomes consagrados em Portugal e no estrangeiro, como os espanhóis Canogar, Tàpies e Xavier (sobrinho neto de Picasso) e os artistas portugueses reconhecidos internacionalmente, Bartolomeu Cid e David de Almeida, mestres da gravura contemporânea, Mestre Humberto Marçal (responsável pelas edições de gravura do CPS), Cruzeiro Seixas, artista mais emblemático do surrealismo português, José de Guimarães, cuja obra (pintura, escultura, obra gráfica) tem vindo a ser reconhecida a nível mundial e Manuel Cargaleiro, expoente da abstracção lírica internacional, entre outros artistas de reconhecido mérito, como, Luís Darocha, há muito radicado em Paris, Madalena Fonseca, Maria Tomás, Amélia Soares, Carlos Eirão, Isabel Rasquinho, João Ribeiro, Paula Lourenço, a artista espanhola Dolores Galvez e as jovens Saskia Moro e Teresa Pato. A exposição tem também um sentido didáctico mostrando ferramentas e diversas técnicas de criação da gravura contemporânea, especialmente sobre metal – Água-forte, Água-tinta, Ponta Seca, Mezzotinta, Técnicas Aditivas e Técnicas Mistas. Edições como as que hoje podemos apreciar têm vindo a contribuir para uma maior divulgação, e junto de um grande público, da arte contemporânea, revestindo-se de um alto valor pedagógico, na medida em que familiarizam esse mesmo público e no seu quotidiano, com a linguagem plástica da modernidade, tornando-o mais disponível para o seu entendimento e apreciação. O Centro Português de Serigrafia criou entre nós um novo padrão de fruição da arte, que sem negar o valor da obra única, antes exaltando-a nos monótipos, produziu um Museu em constante mutação e crescimento, uma colecção aberta capaz de criar junto de quem a ama uma intimidade irrepetível. A qualidade das edições é assegurada no renovado atelier do CPS pelo constante acompanhamento dos artistas que autenticam o resultado final, por técnicos de reconhecido talento que garantem o apuro de edições, reconhecido pela atribuição por três vezes, do Prémio Papies. O CPS tem sido a única entidade em Portugal, convidada e presente desde 1993 no Salão Internacional da Obra Gráfica: ESTAMPA, em Madrid. Iniciou as suas actividades em 1985, com a edição de uma serigrafia do mestre Cargaleiro e dispõe neste momento, de uma notável colecção de edições de serigrafia e gravura que reúne alguns dos nomes mais marcantes da cena artística portuguesa da actualidade. Dos grandes Mestres do século XX aos jovens artistas emergentes, passando por movimentos tão emblemáticos como o neo-realismo e o surrealismo e no plano internacional a Arte Pop, a Nova Figuração e as grandes linhas da abstracção contemporânea, o Centro Português de Serigrafia, que comemorou recentemente vinte anos de actividade, tem vindo a criar uma colecção ímpar de cerca de 1000 obras, que é um verdadeiro documento da arte e da cultura dos nossos dias. Maria João Fernandes