Júlio Pomar: o centenário
Jan. 21, 2026

Júlio Pomar: o centenário

Homenageamos a sua vida e obra

Um dos mais notáveis artistas plásticos portugueses e figura maior da nossa cultura, Júlio Pomar assinalaria este mês o centenário do seu nascimento.
 
A admiração ampla e consensual que a sua vida e obra continuam a suscitar, testemunha a excecional riqueza plástica e humanista de um percurso singular, onde coexistem com notável coerência, múltiplas linguagens e estilos.
 
No âmbito do centenário do seu nascimento, o CPS disponibiliza aos seus Sócios condições exclusivas para a aquisição das obras atualmente disponíveis, válidas até 31 de janeiro.

 

Destacamos uma das obras de maior simbolismo: a última gravura criada no CPS, em 2016. Nesta peça, Júlio Pomar reúne elementos de várias décadas de criação artística: as suas mãos, nos idos anos 1950; os nus desenhados no Atelier da Praça da Alegria (início dos anos 1960) com Alice Jorge e António Charrua; objets trouvés recentes, materializados num leque e na tesoura que usou para os estudos das suas composições.

 

Júlio Pomar, S/ Título, Gravura, Serigrafia, Estampa Digital e Colagem, 75x56 cm, 150 exemplares

 

Uma obra que intencionalmente utilizou as várias técnicas de obra gráfica - gravura, serigrafia e digital print - enriquecida ainda com colagem individual. 

 

 

Júlio Pomar inicia-se cedo nas artes e aos 7 anos experimenta desenho no gesso. A obsessão pelo desenho leva-o à Escola António Arroio e, mais tarde, à frequência das Escolas Superiores de Belas Artes de Lisboa e do Porto. Veio a desvincular-se de ambas, mas aos 20 anos já tinha o estatuto de “artista”. Vende o seu primeiro quadro a Almada Negreiros.

  

Júlio Pomar, Porto, 1945

 © AMJP

 

Muda-se para Paris em 1963, e passa a dividir o seu tempo entre esta e Lisboa. É bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1964 e 1966. Participante ativo nas lutas estudantis, militante, fundador do MUD, Movimento de Unidade Democrática, foi vítima de censura e foi preso pela PIDE, antes de completar a sua primeira encomenda, o mural do Cinema Batalha. Nesta fase a sua obra é neorrealista.

 

Vasto e multifacetado, o seu trabalho inclui homenagens marcantes a figuras centrais da nossa cultura, como o retrato a Mário Soares, uma obra irreverente e incontornável pela forma como desconstrói o protocolo das representações oficiais. Assim como os míticos retratos a Carlos do Carmo que se tornaram ícones da arte contemporânea portuguesa.

 

Júlio Pomar, "Carlos do Carmo (retrato)", Serigrafia, 70x50 cm, 100 exemplares

Júlio Pomar, "Carlos do Carmo (retrato)", Serigrafia, 70x50 cm, 100 exemplares

 

 

Realizou exposições em importantes cidades internacionais tais como Paris, Bruxelas, Lisboa, Pequim e Macau. Na década de 1990, o Brasil recebeu uma importante mostra itinerante em S. Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O seu trabalho foi e, continua a ser, amplamente reconhecido através de homenagens, prémios e exposições retrospetivas. 

 

Júlio Pomar, "Paquete II", Litografia, 58x50 cm, 150 exemplares

 

 

No ano de 2013, a Câmara Municipal de Lisboa inaugurou o Atelier-Museu Júlio Pomar, um projeto da autoria do arquiteto Álvaro Siza Vieira. O espaço possui um acervo de cerca de 400 obras, doadas pelo artista à Fundação Júlio Pomar, com pintura, escultura, desenho, gravura, cerâmica, colagens e assemblage.

 

Júlio Pomar foi um dos mais proeminentes artistas plásticos portugueses da segunda metade do séc. XX. Agraciado pelos pares e pelo público, com obra reconhecida aqui e além-fronteiras.