Um dos mais notáveis artistas plásticos portugueses e figura maior da nossa cultura, Júlio Pomar assinalaria este mês o centenário do seu nascimento.
A admiração ampla e consensual que a sua vida e obra continuam a suscitar, testemunha a excecional riqueza plástica e humanista de um percurso singular, onde coexistem com notável coerência, múltiplas linguagens e estilos.
No âmbito do centenário do seu nascimento, o CPS disponibiliza aos seus Sócios condições exclusivas para a aquisição das obras atualmente disponíveis, válidas até 31 de janeiro.
Destacamos uma das obras de maior simbolismo: a última gravura criada no CPS, em 2016. Nesta peça, Júlio Pomar reúne elementos de várias décadas de criação artística: as suas mãos, nos idos anos 1950; os nus desenhados no Atelier da Praça da Alegria (início dos anos 1960) com Alice Jorge e António Charrua; objets trouvés recentes, materializados num leque e na tesoura que usou para os estudos das suas composições.
Júlio Pomar, S/ Título, Gravura, Serigrafia, Estampa Digital e Colagem, 75x56 cm, 150 exemplares
Uma obra que intencionalmente utilizou as várias técnicas de obra gráfica - gravura, serigrafia e digital print - enriquecida ainda com colagem individual.
Júlio Pomar inicia-se cedo nas artes e aos 7 anos experimenta desenho no gesso. A obsessão pelo desenho leva-o à Escola António Arroio e, mais tarde, à frequência das Escolas Superiores de Belas Artes de Lisboa e do Porto. Veio a desvincular-se de ambas, mas aos 20 anos já tinha o estatuto de “artista”. Vende o seu primeiro quadro a Almada Negreiros.

Júlio Pomar, Porto, 1945
© AMJP
Muda-se para Paris em 1963, e passa a dividir o seu tempo entre esta e Lisboa. É bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1964 e 1966. Participante ativo nas lutas estudantis, militante, fundador do MUD, Movimento de Unidade Democrática, foi vítima de censura e foi preso pela PIDE, antes de completar a sua primeira encomenda, o mural do Cinema Batalha. Nesta fase a sua obra é neorrealista.
Vasto e multifacetado, o seu trabalho inclui homenagens marcantes a figuras centrais da nossa cultura, como o retrato a Mário Soares, uma obra irreverente e incontornável pela forma como desconstrói o protocolo das representações oficiais. Assim como os míticos retratos a Carlos do Carmo que se tornaram ícones da arte contemporânea portuguesa.
Realizou exposições em importantes cidades internacionais tais como Paris, Bruxelas, Lisboa, Pequim e Macau. Na década de 1990, o Brasil recebeu uma importante mostra itinerante em S. Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O seu trabalho foi e, continua a ser, amplamente reconhecido através de homenagens, prémios e exposições retrospetivas.
Júlio Pomar, "Paquete II", Litografia, 58x50 cm, 150 exemplares
No ano de 2013, a Câmara Municipal de Lisboa inaugurou o Atelier-Museu Júlio Pomar, um projeto da autoria do arquiteto Álvaro Siza Vieira. O espaço possui um acervo de cerca de 400 obras, doadas pelo artista à Fundação Júlio Pomar, com pintura, escultura, desenho, gravura, cerâmica, colagens e assemblage.
Júlio Pomar foi um dos mais proeminentes artistas plásticos portugueses da segunda metade do séc. XX. Agraciado pelos pares e pelo público, com obra reconhecida aqui e além-fronteiras.