Valter Hugo Mãe
1 de Novembro de 2020

Valter Hugo Mãe

Valter Hugo Mãe é escritor e cronista. Os seus livros, em Portugal, têm chancela Porto Editora. Entre os seus títulos mais populares encontram-se os romances: "a máquina de fazer espanhóis" e "O filho de mil homens" ou "A desumanização". Esporadicamente, dedica-se às artes plásticas. 

Enquanto Guest Curator, explica-nos o caminho que percorreu para eleger este conjunto de obras.

 

Escolher de entre o vasto catálogo do Centro Português de Serigrafia apenas uma meia dúzia de obras é uma forma de violência. As possibilidades são tantas que começamos por dividir o coração em pedacinhos por padecer preterindo mais do que o deixam escolher. Assim, foi minha opção ser díspar, aludindo à infinidade de artes, quero dizer, artistas, espíritos originais que se revelam em suas únicas, por vezes esdrúxulas, identidades.

Não podia deixar de incluir Artur do Cruzeiro Seixas, príncipe do surrealismo, mestre da elegância, as mais perfeitas noites da imaginação, meu querido amigo. Junto o encantador Eurico Gonçalves, com sua vibração que parece amadurecer dentro do que ainda é infantil. E escolho Alfredo Luz, devedor do surrealismo, ou seu excelente amante, que me comove com suas figuras e sua paleta.

Escolho o divertido trabalho de Rico Sequeira, assacado ao pícaro longe da ingenuidade. Duro sob a camada da cor. Escolho uma belíssima peça de José de Guimarães, que sempre consegue criar uma festa nos meus sentidos, ainda mais esta que celebra Camões. Pela Língua e pela Literatura, também a obra de João Vilhena, homenagem a Saramago. E termino com Miguel Januário, um dos artistas urbanos que mais me inspiram, com seus constantes manifestos de inscrição cívica, não tanto pela política propriamente dita mas pela cidadania, pelo direito à polis.

Valter Hugo Mãe

 

Foto: Ana Esteves Brandão